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sábado, 26 de junho de 2010

Jardim


Era uma vez, num tempo tão antigo que se torna incontável, num reino muito distante, um jovem rei,que era muito bom pro seu povo.O reino não era rico,nem grande,mas o rei tinha planos para o seu povo. Mandou chamar de outro reino,um sábio (que além de sábio,era mago) para ajudá-lo e aconselhá-lo no governo e prosperidade do seu reino. O sábio muito carinho tomou pelo rei,mas vendo que ele sofria dentro de si,resolveu lhe pregar uma peça,para tentar alegrá-lo,já que nunca via o rei sorrir.Toda noite,fazia objetos do castelo flutuarem,mas isso ao invés de alegrar o rei,dispertou-lhe a fúria. O sábio então descobriu que tudo o que envolvesse o "sobrenatural" perturbava o rei,e foi então que ele descobriu o porque da amargura e solidão do rei... O rei,ainda furioso com o sábio,ordenou que ele seria então seu escravo,nunca podendo partir do reino;foi então que o sábio usou da sua Magia para aplacar a fúria do rei.Naquela noite,eis que de um túmulo alto,de pedra,viu-se um corpo reluzente e nu se levantar,e ser vestido em branco,num brilho flutuante:o mago trouxera a vida a jovem rainha,que havia morrido tão cedo e deixado desolado ao rei. Os longos cabelos negros da rainha lhe cobriam como um véu,e cada passo seu parecia uma dança celestial; o rei não tinha palavras.Apenas lhe tomou pela mão e foi com ela passear pelo jardim.Apenas sorrisos podiam ser vistos em seu semblante.Nenhuma palavra.Apenas o sorriso. Enquanto passeavam pelo jardim,o sol escaldante que castigava o solo se tornou entardecer;os trabalhadores do campo ao virem que a rainha tinha voltado,comemoraram.O pastor ao avistar a rainha guardou seu rebanho,para que ela pudesse caminhar livremente pelos campos. Os cavalos do rei saíram do estábulo e vieram ao seu encontro,saudar a rainha. O reino agora reluzia feliz com o renascimento da rainha. Mas eis que uma mulher,que almejava se tornar rainha se casando com o rei,ao avistar a rainha renascida,se encheu de cólera.Usando de sua feitiçaria,se transformou num gato e foi ter com a rainha,que como amava todos os animais,a acolheu.Foi então que a gata lhe jogou uma maldição: "A Rainha deveria dormir o ano todo,e só podendo acordar em Yule,quando então poderia visitar seu rei." Dizendo isso a gata se transformou num caçador e acertou na rainha uma flecha. Desde então a rainha dorme durante todo o ano,acordando em Yule para encontrar seu amor. E o rei espera,vendo lentamente a Roda,pela noite mais longa do ano.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Solstício de Inverno - YULE

HOJE é a passagem do ano pagão no Hemisfério Sul. É hoje que o Deus Sol renasce do ventre da Mãe Terra, ficando cada vez mais poderoso até a chegada do Solstício de Verão, onde seu poder começa a declinar.
Ao redor do mundo, em diferentes culturas, existem vários mitos que exprimem esta passagem do ano, Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano. Ainda que nos trópicos a diferença entre as estações não seja tão marcada, ela se faz sentir através do clima e dos ciclos naturais das plantas e animais. Os Solstícios e Equinócios não são "mitos/ritos antigos de uma sociedade que não existe mais", eles são reais e estão acontecendo neste planeta, e sempre acontecerão, enquanto a Terra for regida pelas forças físicas que é. E para mim, o que acontece neste planeta diz respeito a nós humanos também, obviamente!
Esses mitos são contados de diversas formas e são muito interessantes, sempre opondo uma dualidade entre Luz X Trevas, dividindo o ano em duas partes, a anterior ao Solstício dominada pelas forças de declínio, contração, e a outra pelas forças da ascenção, expansão. E é no dia de hoje que se dá a passagem de uma fase para outra.
Nos mitos isto é contado de outra maneira, como no mito Celta (um dos mais ilustrativos), no qual acontece a luta entre os irmãos gêmeos o "Rei Carvalho (luz) e o Rei Azevinho (trevas)":

"Na primeira metade do ano (pagão!!! que no hemisfério Sul é o oposto do calendário greco-romano que vem do hemisfério Norte), é o Rei Carvalho (Luz) que preside o trono, dias claros, com o sol brilhando intensamente. A figura mística do Rei Carvalho é representada por um jovem forte, audacioso, corajoso que caça a Deusa pela florestas, tomando-a para si… A cada novo dia o sol se torna mais forte, até o solstício de verão que é quando ele se apresenta cansado, suas forças já não são mais as mesmas e a batalha ritual com o seu irmão, o Rei Azevinho (escuridão) consome o restante de suas forças. Ele é vencido.
O lugar no trono é ocupado pelo Rei Azevinho, então teremos dias mais curtos e a sombra instala-se com seu manto frio…
Em Yule o Rei Carvalho volta, pois nesses seis meses sombrios, ele pôde repousar, revigorar-se e regenerar-se para então voltar e desafiar seu irmão uma vez mais… Ao voltar do submundo ele reclama o seu trono e novamente acontece o combate ritual entre os dois irmãos e o Rei Carvalho derrota o Rei Azevinho.
E assim reina por mais seis meses dando continuidade ao circulo que se repete continuamente
."

Então vamos dar as boas-vindas ao "Rei Carvalho" que hoje volta de sua longa jornada no submundo!

Vamos refletir no que isso significa para nós em nossa vida pessoal e para nós como seres deste planeta.
~~Bons Ventos~~

sexta-feira, 18 de junho de 2010

falando sem dizer, ou não!


Era uma vez... uma menina. Ela estava andando ha horas nas ermas estradas de terra do interior da Bahia, perdida que estava. Mas não tinha medo, estava tranquila pois sentia que nada de mal poderia lhe acontecer se seguisse o fluxo da vida. Depois de não aguentar mais andar naquela areia fofa, com seus pés já cansados, sentou um instante sob uma grande árvore que fazia uma bela sombra sob a luz daquela lua cheia nascente. Recostada no tronco, fechou os olhos e meditou sobre o que faria: ficaria ali parada esperando alguém aparecer, ou quem sabe amanhecer; ou continuaria a andar a procura do caminho que a levaria de volta à casa de sua anfitriã? Não conseguiu se decidir, mas abriu os olhos para fitar aquele enorme globo amarelado no céu, que aos poucos se transfigurava em azul. Passado um tempo, resolveu tentar uma derradeira vez achar o caminho de volta, mas também sem muita preocupação ou esperança. Estava uma noite tão bonita, e numa situação talvez única em sua vida - aliás, qual não é? - então não poderia deixar de contemplar...


Foi então que finalmente viu um casebre à beira da estrada, com uma luz bruxuleante acenando por uma janela aberta, uma luz convidativa. Chegou em frente à casa, bateu palmas. Parecia não ter ninguém - talvez estivessem dormindo, nem sabia que horas eram, mas pela posição da lua, não mais que 20h. Observou através da janela, rondou a casa, chamou, mas tudo em vão. Logo lembrou-se daqueles contos-de-fadas onde o protagonista entra na casa alheia, mas o resultado nunca é feliz. Ainda assim sentia-se obrigada a experimentar essa oportunidade, o ímpeto foi maior que o receio...


Era um casebre de dois cômodos relativamente amplos: sala e cozinha. A vela que emitia aquela luminosidade vacilante tinha ainda algumas horas de vida, pelas suas contas (costumava acender velas em seus pequenos rituais em sua casa). Estava exausta. Andar sob o sol quente do sertão a havia castigado, e a areia fofa então... talvez adormecesse ali e pensou que seria muito desagradável para os donos da casa encontrarem um "invasor" em seu lar. Ela se preocupava muito com esse tipo de coisa, em estar de certa forma invadindo o espaço alheio. Achou que era de bom grado deixar um bilhete explicando toda a situação. Mas e se não soubessem ler? Poderiam ser analfabetos, não é tão raro encontrar pessoas analfabetas por essas bandas do Nordeste. Mas isso também poderia ser um preconceito (na acepção mais original da palavra) seu... bem, sendo isso ou aquilo, lembrou que não tinha caneta. "Então seja o que os deuses quiserem, ou não!".


havia algo de peculiar naquele quarto: duas camas cuidadosamente arrumadas, uma de enchimento de palha, outra de enchimento de espuma. Uma era retandular e baixa, a outra mais alta e arredondada. Ambas cheiravam bem, e eram muito aconchegantes. Precisaria escolher uma, e agora? Qual é o critério? O critério é dormir bem. Mas, se as duas provavelmente proporcionarão uma boa noite de sono!? Ainda restavam outras dúvidas marginais como qual seria a cama de dono mais compreensível... "duas coisas tão diferentes nos pequenos prazeres e tão iguais em sua satisfação essencial". Ficou com tanta dúvida e estava com tanta vontade de se entregar a Orfeu, que dormiu no chão.


- O que vocês fariam no lugar dela? Qual das camas escolheriam? Ou não escolheriam?




~~Bons Sonhos~~

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cuidem - se, pois não há revolta mais efetiva que a do corpo

Esta é uma frase da minha orientadora de pesquisa, prof. Leny. Talvez não esteja igual ao que li, mas este é o sentido: "Cuidem -se, pois não há revolta mais efetiva que a do corpo".

Foi engraçado, a primeira vez que eu li esta frase aficcionada no vidro da sala... eu demorei um pouco para entender o que aquilo queria dizer. Na verdade eu demorei dias! Sempre pensava como o corpo poderia se revoltar contra o quê. Ficava pensando nos corpos, donos de si, revoltados contra o sistema, talvez quem sabe assim uma estratégia eficiente; talvez uma viagem anarco-lisérgica da minha cabeça. Depois, claro, entendi teoricamente o que aquela frase queria dizer. Mas ficou sendo apenas um conjunto de símbolos linguísticos que meu cérebro decodificou em um significado coerente. O cérebro, operador das funções intelectuais, aquele órgão do corpo que tem acesso a memória - mas não o único.

E eis eu agora, gripada e sem voz, precisando de forças para arrumar a casa e cumprir meus afazeres, de forças para me divertir, e meu corpo não responde. Eu tenho tudo para realizar-me! Tudo, menos a cooperação de meu corpo. É, ele se revoltou contra mim, saturou de minha atitude displicente para com ele, sem remorso e sem perdão.

Agora sim, eu posso afirmar que compreendi, com todo meu corpo (e não apenas o cérebro) aquela frase.